24/08/09

Luís C. Martino Jr

RESENHA: "A janela aberta", "A voz da felicidade" e "Palíndromo"











Hoje eu tenho uma surpresa para os peliculofágicos, e ela vem em dose tripla! Acontece que venho alimentando, nos últimos dias, um hábito nada saudável de dormir desconfortavelmente o sofá da sala - meu pescoço grita "SOCORRO!" - afim de pegar a (boa) programação do Telecine Cult, que teima em passar nesse ingrato horário que compreende das 4 às 6 da manhã - e no dia seguinte a expressão cadavérica denuncia uma cinemaníaca. Acontece que as resenhas que vocês lerão agora vem de outro canal, e são brazuca.

Há muitos curtas bunda por aí, mas há uns bem geniais. E tive a sorte grande de ver, na seqüência, 3 curtas incríveis, que têm, no máximo, 11 minutos e conseguem passar sua mensagem com admirável firmeza. E são eles, respectivamente, "A janela aberta", "A voz da felicidade" e "Palíndromo". O primeiro traz um intrigante/intrigado Enrique Diaz num amálgama cronológico que, à medida que cresce sem encaixe, vai arquitetando seu previsível, e mesmo assim interessante epílogo. "A voz da felicidade" satiriza, com uma generosa dose de escárnio, os programas de autidório descaradamente à Chacrinha, quando insere, numa perspectiva contrastante, uma mulher à beira do suicídio que costura um papo bizarro com um apresentador alheio à sua dor do outro lado da linha. E, pasmem, é um curtinha que já tem 22 anos. Não menos brilhante é "Palíndromo", que se desenvolve todo calcado na semântica do próprio título quando refaz, em slow backwards, um dia de cão vivido por um executivo numa cidade que não discerni se é o centro do Rio ou de São Paulo. A maestria de "Palíndromo" mora na completa inalteração de sentido característica da palavra, que conduz o monocromático curta com densidade.

Confesso que não sou fã absoluta de curtas, mas esses me chamaram a atenção pela boa direção e a capacidade de tornar o desespero humano em arte. Ponto pro cinema!
Bons filmes!

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